Viticultura em Portugal

Nenhum outro país tem uma variedade de castas autóctones comparável a Portugal.

A enorme variedade de diferentes castas foi introduzida em Portugal ao longo de uma longa e magnífica história de viticultura, cuja origem remonta à Idade do Bronze segundo arqueólogos. Os Tartéssios, Fenícios e Romanos deixaram a sua influência na vinificação. Séculos de isolamento também impediram uma maior partilha com outros países produtores de vinho, como a Espanha e a França. Assim os viticultores portugueses concentraram-se nos aromas delicados das suas próprias castas.

A ampla diversidade de castas únicas de alta qualidade é impressionante: Touriga Nacional, Touriga Franca, Trincadeira, Aragonez, Baga, Castelão, Alvarinho, Arinto, Fernão Pires, Encruzado e muitas outras, são as responsáveis pelo caráter incomparável dos vinhos portugueses. Embora o mundo dos vinhos, em geral, se concentre mais nas castas Cabernet Sauvignon e Chardonnay, em Portugal os amantes de vinho podem desfrutar de um impressionante leque de aromas diferentes e característicos. Portugal tem mais de 250 castas nacionais, de entre as quais apenas algumas (e em quantidades muito reduzidas) viajaram além fronteiras.

Nota: Este artigo usa material informativo proporcionado para ViniPortugal, uma organização que representa todo o setor vitivinícola português e tem como missão promover a qualidade e a excelência dos vinhos portugueses. Ler mais na website www.winesofportugal.com.


Níveis de Qualidade

Regiões DOC (ou DOP)

No mais alto nível da hierarquia dos vinhos europeus, Portugal tem 31 DOC/DOP. Atualmente, ambos estes termos são utilizados em Portugal. A designação tradicional “DOC” significa Denominação de Origem Controlada e a pan-europeia “DOP” significa Denominação de Origem Protegida. Cada uma destas regiões tem delimitações geográficas estritamente definidas. Observação: três das regiões (Douro e Porto, Madeira e Madeirense, DOC Setúbal e DOC Palmela) ocupam as mesmas áreas geográficas. Os regulamentos DOC também estabelecem uma quantidade máxima de colheitas de castas, determinam quais as castas recomendadas e autorizadas e várias outras normas. Todos os vinhos têm de ser submetidos a uma prova, teste e aprovação oficiais.

Vinho Regional (ou IG ou IGP)

Todo o território nacional está dividido em 14 áreas de “Vinho Regional”. Os vinhos provenientes destas áreas têm sido designados como Vinho Regional em Portugal. Atualmente, a União Europeia introduziu novas designações para esta categoria de vinho: IG quer dizer “Indicação Geográfica” e IGP, “Indicação Geográfica Protegida”. A maioria das regiões portuguesas decidiu manter a denominação antiga, VR. As normas para a elaboração de Vinho Regional são muito menos rigorosas do que as que governam os vinhos DOC. Todavia, muitos vinhos portugueses de prestígio são classificados como Vinho Regional. Isto acontece porque o produtor preferiu utilizar castas que não estão autorizadas para uma determinada DOC ou, pelo menos, não estão autorizadas nas combinações e proporções específicas escolhidas. Os regulamentos menos rigorosos para o Vinho Regional proporcionam aos produtores um campo de ação mais alargado, apesar de estes vinhos também terem de cumprir determinados critérios relativamente à casta, graduação mínima alcoólica, entre outros.

Vinho

Os Vinhos de Mesa são os vinhos mais simples de Portugal, não estando sujeitos a nenhuma das normas estipuladas para a qualidade dos vinhos regionais. No entanto, é de assinalar que muito poucos vinhos elogiados pela crítica são designados simplesmente como vinhos de mesa. Regra geral, são vinhos produzidos por viticultores ambiciosos que decidiram trabalhar fora das normas oficiais e deliberadamente classificaram os seus vinhos como vinhos de mesa.


Regiões vitícolas

Clique a galeria para ver um mapa das 14 regiões vitícolas em Portugal continental e as ilhas de Madeira e dos Açores com 31 Denominações de Origem Controlada (DOC). Observação: apenas são apresentadas 28 no mapa uma vez que três das regiões (Douro e Porto, Madeira e Madeirense, DOC Setúbal e DOC Palmela) ocupam as mesmas áreas e foram numeradas em conjunto. 

Todo o território nacional está dividido em 14 áreas de “Vinho Regional”. Os vinhos provenientes destas áreas têm sido designados como Vinho Regional em Portugal. Atualmente, a União Europeia introduziu novas designações para esta categoria de vinho: IG quer dizer “Indicação Geográfica” e IGP, “Indicação Geográfica Protegida”.

  • Açores: DOC Biscoitos, Graciosa, Pico, Vinho Regional Açores
  • Alentejo: DOC Alentejo, Vinho Regional Alentejano
  • Algarve: DOC Lagoa, Lagos, Portimão, Tavira, Vinho Regional Algarve
  • Barraida: DOC Barraida, Vinho Regional Beira Atlântico
  • Beira Interior: DOC Beira Interior, Vinho Regional Terras da Beira
  • Dão e Lafões: DOC Dão, Lafões, Vinho Regional Terras da Dão
  • Lisboa: DOC Alenquer, Arruda, Bucelas, Carcavelos, Colares, Encosta d’Aire, Lourinhã, Òbidos, Torres Vedras, Vinho Regional Lisboa
  • Madeira: DOC Madeira, Maderiense, Vinho Regional Terras Madeirenses
  • Península de Setúbal: DOC Palmela, Setúbal, Vinho Regional Península de Setúbal
  • Porto e Douro: DOC Douro, Porto, Vinho Regional Duriense
  • Távora e Varosa: DOC Távora – Varosa, Vinho Regional Terras de Cister
  • Tejo: DOC do Tejo, Vinho Regional Tejo
  • Trás-os-Montes: DOC Trás-os-Montes, Vinho Regional Transmontano
  • Vinho Verde: DOC Vinho Verde, Vinho Regional Minho


Castas Portuguesas

Portugal desfruta de uma impressionante quantidade de castas autóctones, inexistentes em qualquer outra parte do mundo

Nem mesmo a Itália consegue ultrapassar Portugal no que diz respeito à variabilidade natural de cada espécie e às pequenas diferenças genéticas de cada casta. Estas proporcionam aromas únicos aos vinhos portugueses, conferindo-lhes o caráter e a singularidade que os distingue. Ao passo que as castas francesas e, até certo ponto, também as castas da Itália, Alemanha e da Espanha, se disseminaram por todo o mundo, as castas portuguesas mantiveram-se isoladas e circunscritas ao território nacional.

Mesmo em Portugal, são poucas as castas que são reconhecidas pelo nome para além do trio Alvarinho, Baga e Touriga Nacional. A notoriedade é reduzida entre as mais de 250 castas nacionais oficialmente registadas, com nomes tão exóticos como Esgana Cão, Amor-não-me-deixes, Carrega Burros, Cornifesto, Dedo de Dama, Dona Joaquina, Pé Comprido ou Zé do Telheiro.

Entre as muitas castas portuguesas de elevada qualidade, algumas demonstram uma personalidade mais marcada. São dez castas que, por si só ou combinadas, enaltecem a reputação de Portugal e assumem-se como símbolos nacionais dos vinhos do país. Quatro castas brancas e seis castas tintas merecem, assim, uma menção especial devido à sua coerência qualitativa e autoexpressão. As castas brancas são:

  • Alvarinho
  •  Arinto (Pedernã)
  • Encruzado
  • Fernão Pires (Maria Gomes).

As castas tintas:

  • Baga
  • Castelão
  • Touriga Franca
  • Touriga Nacional
  • Trincadeira (Tinta Amarela)
  • Tinta Roriz (Aragonez).

O património vitivinícola de Portugal tem um outro traço característico: raramente apresenta uma única casta por si só. Com algumas exceções (como a Alvarinho e Encruzado, nos brancos, e a Touriga Nacional e Baga, nos tintos), a força dos vinhos portugueses está na arte do lote (ou “Blend”). É a arte de criar um vinho que tem origem em duas, três, quatro ou, por vezes, dez castas diferentes! No passado, a mistura de castas nas vinhas quase sempre ditava o lote final. Hoje em dia, com os avanços na viticultura, com a enxertia compartimentada, é possível avaliar o valor de cada casta. Assim, no conforto da adega, a arte do lote fica por conta da mestria do enólogo.


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